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O que mais fascina na ficção é a possibilidade de ir longe demais, o que raramente acontece. Os americanos gostam de pensar que o fazem, o que por norma fica longe da verdade. Não neste castelo, onde as cartas são como vigas de betão armado sobre areia fina. Por momentos, temi (/suspeitei) entre sorrisos inevitáveis que (todas) as forças convergissem para o homem (Richardson/Urquhart) e dali fossem expelidas como ricochete primordial, mas não, é algo ainda melhor, uma espécie de Gaia envolta na sua burocracia específica. Um sistema que não existe em torno de um homem (seja ele quem for), mas em torno de si mesmo, autoconsciente, capaz de compilar e dispor - impossível de abater. Ainda que, claro, ele próprio preparado para matar, usando o homem como peão para atingir os seus propósitos. Homem-peão que mata homem-peão. A ironia final reside no jogo de sugestões a derramar no Homem como Tragédia: Ser quase consciente da sua perda – viciado congénito fingindo acreditar que a próxima dose será a última... Creio que nunca se tinha escrito sobre o indizível que transcende a espécie, isto é, sobre o seu estrepitoso falhanço, como o fez o argumentista desta série. Impressionante. Que o Pessimista se sinta finalmente vingado lá no alto do seu pedestal.
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