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Catherine Breillat, a escritora…

por slade, em 26.08.15

courbet.jpg

(pintura: L'Origin du monde, de Gustave Courbet)

 

Em caso de dúvida deve-se gostar do cinema de Catherine Breillat. E isso porque entende o campo das imagens como um espaço central de afirmação da mulher como entidade independente e sexual. As dúvidas e, se quisermos, perplexidades das suas personagens existem como evidência para o mais do que atempado (e necessário) contraditório ao status que impõe a mulher como ser a purificar. Breillat é mulher e acredita na penetração e na busca do prazer - e não como elemento de resposta, mas de descoberta e posterior certificação. No mundo sonhado por Breillat, talvez a menina de dezoito anos devesse aguardar calmamente no quarto pelo seu futuro primeiro amante, que entraria pela mão da sua mãe. Não acontecendo assim, tal rapariga tem de partir à descoberta. E parte. Mas talvez exageremos na premissa.

Dito isto, foi-nos dado a perceber que uma parte substancial - para não dizer a maior - da sua fama na França natal resulta do seu trabalho como escritora. Tentámos, e foi uma aterradora desilusão. Escreve ao contrário do que filma. Verte palavras que não são emoções ou sequer necessidades. É académica sem ser astuta. Escreve bem, mas é como se se dirigisse a uma plateia acabada de sair de um baile de máscaras. Os risos, a existirem, vão para o lado e degeneram em tosse. Faz (de forma errada) na literatura o que Jean-Claude Brisseau faz (e neste caso muito bem) no cinema. Intelectualiza o sexo.

Mas no cinema, quanto ao sexo, por assim dizer, cerebralizado, temos a hipótese do corpo mostrado para criar a distância, o pólo de oposição, ‘eis o corpo, agora pleno e belo e em breve fora do seu território, mas ainda belo’. A imagem permite a objectivação do contraste entre esses dois olhares: corpo exposto – filosofia do sexo.

Na escrita de Breillat, a hipótese filosófica não funciona, perde-se em si própria e, sem poder ter o corpo do seu lado, apenas revela pedantismo; e passadas algumas páginas o leitor começa a irritar-se; ao fim de trinta já não lhe perdoa e fecha o livro. Foi o que nos aconteceu…   

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publicado às 02:27


2 comentários

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De kataklismo a 26.08.2015 às 15:44

Já o "Romance" era uma seca. Acho a intelectualização do sexo uma ideia tão interessante como a intelectualização da sede.
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De Slade a 26.08.2015 às 17:06

O Romance é o filme dela que mais se aproxima dos defeitos da sua escrita, mas ainda assim salva-se (por algumas das razões acima expostas...)

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