Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Já se esperava: Blackstar é um disco extraordinário. Que não podemos amar nem um pouco mais nem um pouco menos.
Um homem aguarda a morte próxima. Um homem idolatrado (forma de amor dedicada aos temperamentos criativos) por milhões que nada sabem sobre a presença iminente dessa morte tão peculiar. A morte dos semideuses, aqueles que (por determinação, imersos num profundo desejo, tão próximo do sonho de criança) deixámos em devido tempo de ver como homens. Entidades que se haviam libertado da matéria, afinal também corpos mortos e posteriormente cinzas. Não é lógico que assim seja. Não é sequer decente.
Blackstar, nos idos anos setenta do século passado (curiosamente os anos higiénicos em que o soberano Ziggy, persona maior de Bowie, ascendia e caia tão rapidamente que quase não se dava conta dos impérios gerados e destroçados), era o nome usado para Black Hole (Buraco Negro). Estrela outrora magnânima, entretanto afunilada com estrépito na sua própria força. Energia excessiva que esmaga. Onde o que entra já não pode sair e se pinta de negro para o olhar exterior. É a morte em reprodução artística.
Ou seja, um homem a roçar a divindade – expectante, mas determinado – dorido, mas decidido a enfrentar o sofrimento – resolveu cantar o seu final. Onde é que já vimos isto – seja pelo próprio ou por interposta pessoa? Pois, lembramo-nos dos míticos poetas de tempos no limiar da memória. Tempos que assim não se perderam nem se perderão jamais.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.