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(eventualmente as não frequentadas pelo Papa F., caso precisemos de inocentes – tanto como de luzes ao fundo do túnel) …

Uma derrota da humanidade implica que a maioria dos seus representantes saiu a perder (no/o que quer que seja). De números, sobre números e para os números, visível e sequiosamente, pois temos de saber quem perdeu, afinal, quantos perderam.

Dos, enfim, sete mil milhões de seres humanos, pode dizer-se, sem grande margem de erro, que pelo menos cinco mil milhões não se identificam com os valores cristãos. E foram estes que se assumiram como derrotados pelos seus intermediários.

Ainda assim, o raciocínio anterior tem uma falha evidente: quando pressupõe (deixa implícito) que as religiões não-cristãs têm uma posição de aceitação relativamente à homossexualidade, o que sabemos não ser de todo o caso. Nesse espaço, já preenchido, temos de tudo, de simples rejeição social a feroz rejeição social, a penas de prisão, a condenações à pena capital. São as religiões bárbaras, diz o devoto cristão. Enfim, de pouco importam para este caso, aceitemos que por falta de algumas condições, mais ou menos evidentes, certos mundos ainda não se podem tocar plenamente sem que daí se derive para lógicas no mínimo perversas.

Assim sendo, choque por choque, restam cristãos e não-cristãos educados na cristandade – e para os cristãos, três hipóteses (a degenerar, quando muito, na simples rejeição social, pois tudo o mais era simplesmente medonho) – claro que os supramencionados não-cristãos escolheram previamente por diferentes razões, e os que escolheram mal já têm disseminada a doença dos bárbaros, ou seja, por exclusão de partes:

  • Ou o cristão assume essas posições críticas, ainda que atenuadas, para si, mantendo – e disseminando por relevante – o pesado discurso oficial, apenas evitando a necessidade de um fim palpável (prisão, castigo terreno, etc.). Como de resto, por hábito, faz um qualquer nobre cardeal, assim levando o ajuste de contas para o limbo das ameaças vácuas ou para o juízo final.
  • Ou então aceita o livre correr do espírito dos tempos, ajustando de tempos a tempos sem necessariamente ajustar abruptamente, e assim preservando a fachada simbólica; uma subtil mudança contínua, apenas nas entrelinhas do contrato. No ponto em que a religião se torna política, ganha em presença de espírito o que perde em espírito.
  • Ou o cristão abdica da religião.

Excluída a terceira hipótese, caso opte pela segunda, no fundo, o cristão dá a si própria a hipótese de se salvar, sustentada na representação figurativa, a projecção do Grande Outro como lhe chamou Lacan; tendo finalmente a coragem de abandonar a posição precisa, a necessidade de intervenção directa no real, onde a farsa se torna demasiado óbvia.

Mas parece que não, o deus-católico-cristão (a quem nos dirigimos) insiste em morrer aos poucos pela boca dos seus representantes e crentes. A ironia é que os supostos interessados são cada vez mais, e ao mesmo tempo, os executores e as vítimas de tão pesada pena. Outros tomarão o seu lugar, e tal não tem nada de bom, mesmo se ainda se apelidarem de cristãos.

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publicado às 18:17



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